PARA QUE NÃO CONSIGO ENGRAVIDAR? Aspectos transgeracionais de um drama cotidiano


PARA QUE NÃO CONSIGO ENGRAVIDAR? Aspectos transgeracionais de um drama cotidiano
CARLOS VEIGA 19 DE JULHO DE 2016

Existe um mandato da mãe natureza que parece estar por cima de todos os demais: tudo que resulta em vida, garante a sobrevivência e deve continuar existindo, e tudo que acaba em morte ou sofrimentos muito profundos para a família há que se evitar.
Dentro desta regra, entra precisamente o conflito de não conseguir engravidar e, dentro deste conflito, há uma memória de um ou mais dramas emocionais relacionados à morte, sobretudo aquelas não consideradas dentro dos parâmetros da normalidade. Mortes ligadas a instantes sagrados da criação, que são a gravidez e o parto; isto é, mães, avós ou bisavós que morrem em consequência de uma gravidez, ou ao dar a luz. Estas memórias inconscientes impregnam a família que as vai transmitindo à descendência e, ao final, chega em uma neta ou bisneta a mensagem: “cuidado, se você engravidar pode morrer!”, “ficar grávida é sinônimo de morte”.
Outro drama envolvido com não conseguir engravidar, e que tem o mesmo peso, são as mortes prematuras de filhos. Crianças que morrem logo ao nascer, natimortos, crianças que morrem muito cedo durante a infância e adolescência, seja por enfermidades, acidentes, falta de assistência, etc. Neste caso, a mensagem é: “não tenha um filho porque ele pode morrer”. Tudo isso fica gravado para que a descendência tenha a informação de que ter filhos é perigoso.
Devemos considerar também um outro fator importante, no que diz respeito à não ser capaz de engravidar, que são as violações dentro do matrimônio. Muitas mulheres obrigam-se a fazer sexo com o marido por dogmas religiosos ou crenças familiares, por questões de violência física ou verbal, medo do abandono, sentimento de desproteção e, inclusive, por questões financeiras. Sexo sem que a mulher esteja desejando é violação, ainda que pesem todas as inúteis justificativas que uma mulher encontra para se entregar a um homem sem vontade. Este é um assunto exclusivamente feminino, já que por questões anatômicas os homens não podem fazer sexo sem desejar.
Não são poucas as famílias onde houve abusos por parte dos homens em relação às mulheres, por conta disso, o sentimento familiar inconsciente é que ser mulher é uma desvantagem. Qualquer criança que seja gerada dentro deste contexto carregará esta informação por toda sua vida adulta e poderá ter dificuldades para engravidar no futuro. Há também as memórias relacionadas com o abandono por parte do homem, após a notícia de que a mulher está grávida. Nestes casos, a mensagem é: “se engravido, sou abandonada”; “se engravido, fico só e, o melhor portanto, é não engravidar”, ainda que conscientemente a mulher deseje.
Outra razão pela qual nosso inconsciente determina à nossa biologia que não engravide, são as mulheres que tiveram filhos em excesso no passado. Sabe-se de muitas histórias de avós e bisavós que tiveram 9, 10, ou mais filhos, algumas 14 e até 18. Estas mulheres que passaram todo tempo grávidas, amamentando e cuidando de filhos, não puderam desfrutar da vida de forma plena, tornaram-se prisioneiras de uma situação que, na maioria das vezes, não desejavam. Aqui, também, a mensagem inconsciente para as mulheres das seguintes gerações é: “não passem pelo que eu passei”; “desfrutem da vida porque eu não fui capaz de fazê-lo”, “se você fizer como eu, irá sofrer e calar-se”.
No nível transgeracional, há ainda a questão dos abortos - espontâneos ou provocados - e aqui não cabe fazer considerações nem questionamentos com respeito à tomada de decisões em circunstâncias pessoais. Estes são os casos em que o útero grava a memória de uma gravidez que terminou em morte. O inconsciente pode assumir que engravidar termina em morte.
Quando uma mulher não consegue engravidar, não devemos descartar os assuntos relacionados com traição, tanto em gerações anteriores, como na questão particular do casal. Uma mulher que foi traída, ou que se sente traída, pode inconscientemente considerar que este não é o macho adequado para gerar descendentes. O aspecto inconsciente da mente não diferencia “real” de “imaginário” ou “simbólico”. Se uma mulher desconfia que seu marido lhe trai, este sentimento é o bastante para despertar uma memória de traição de uma avó, da mãe ou de gerações acima. Muitas traições acabam em abandono e a mulher segue só com os filhos. A informação inconsciente é: “se este homem é um traidor, melhor não ter filhos com ele porque vai me abandonar com as crianças”.
Não engravidar não é um conflito exclusivo de mulheres, porque estas memórias também podem vir pelo lado paterno, como por exemplo: através da perda de um filho precocemente; de abortos ou quando uma mulher falece no parto. Há, inclusive, memórias de homens que falecem muito próximo a nascimentos e, neste caso, o nascimento carrega a memória de morte. Tudo isso não é racional nem racionalizável, é puramente biológico. Tudo que está próximo a um nascimento fica registrado para sempre, justamente por ser um instante sagrado na criação. Em um nível inconsciente, relaciona-se o tempo com as datas de nascimento. Exemplo: três anos depois que Pedro nasceu seus pais se separaram; Joana se formou um ano antes do nascimento de sua filha, etc.
Fisicamente, encontramos disfunções como espermatozóides inativos ou em pequeno número, óvulos que não se fixam, fluidos vaginais que eliminam espermatozóides, problemas nas trompas, no útero, falta de ovulação, etc. Que conflitos dramáticos viveram estas pessoas e famílias para que o melhor seja não continuar perpetuando este clã, contradizendo o maior de todos os mandatos biológicos que é procriar? Isto nada tem a ver com o fato de querer ter filhos, já que muitos casais sofrem porque os querem mais que tudo, porém a dor emocional da família foi tão grande em gerações anteriores que o inconsciente biológico falará mais alto contra a vontade consciente dos pais.
Algumas vezes, encontra-se uma situação em que uma irmã pode ter filhos e outra não. Isto se passa quando a irmã que está impossibilitada de engravidar está em uma relação de afinidade com um ou mais membros da família que viveram dores muito profundas com este tema. Estas afinidades são determinadas por datas, semelhanças físicas, nomes, profissão e outras coisas relacionadas com o inconsciente coletivo do clã. Devemos analisar outros sintomas que são típicos de conflitos entre casais e que podem dar pistas de onde estamos pisando; como, por exemplo, enfermidades que afetam as mamas e os ovários. Os sintomas não mentem jamais!
Outras questões importantes quando estamos falando de não conseguir engravidar são as relacionadas a não ter casa ou não ter condições financeiras adequadas, tudo sempre dentro da percepção individual de cada pessoa. Não ter casa ou condições financeiras pode ser um grande obstáculo para uns e não representar nada para outros. Os dramas no inconsciente familiar são tão dolorosos que, por mais que haja um desejo consciente de encontrar um parceiro/a, muitas vezes isso não acontece e, quando acontece, o inconsciente busca um meio de não concretizar a relação, dizendo que não é o momento adequado ou encontrando qualquer outro motivo para que não se dê a possibilidade real de gerar descendência. É um drama muito comum hoje na sociedade não encontrar parceiros/as, sem que se dê conta de que pode representar uma ordem inconsciente do clã de não procriar. Nada melhor para não ter filhos do que não ter parceiros.
Uma vez identificadas estas feridas emocionais da família e tomando-se consciência do “para quê” ainda não se gerou descendentes, é possível destravar os conflitos relacionados; como, por exemplo, o de não ter casa, não encontrar parceiros, ou de não ter condições financeiras, porque estes são programas que costumam andar juntos.
Outro programa associado que pode interferir é o de ser uma filha/o cuidadora/o. São pessoas que se afastam de possíveis parceiros por estarem inconscientemente programados para cuidar de “filhos simbólicos” como pais, irmãos ou animais de estimação. Segundo Carl G. Jung, nenhuma criança nasce como uma folha em branco. A mente inconsciente já nasce carregada de programas familiares a serem resolvidos.
Poderíamos perguntar, mas, para quê herdamos programas? O sentido de herdar programas ou informações de determinados membros da família é seguir evoluindo. Podemos entender a evolução como um processo natural de todos os seres vivos, algo que é involuntário, superior a decisão individual, e que está ligado às espécies. A definição da palavra “evolução” segundo o dicionário é: desenvolvimento ou transformação gradual e progressiva, movimento, crescimento; aperfeiçoamento. Se formos um pouco mais além, podemos entender a evolução como a solução encontrada pela mãe natureza para resolver conflitos, é através destes que se dispara a necessidade de que os indivíduos sejam cada vez mais rápidos, mais ágeis e mais fortes. Todavia, não estamos apenas tratando da evolução natural das espécies do ponto de vista biológico, estamos envolvidos na evolução espiritual dos seres humanos, no sentido de liberar a culpa no inconsciente coletivo, familiar e individual. Desde os tempos mais remotos o homem olha para cima em busca de respostas. Retirar a espiritualidade das equações é negar a própria história da humanidade.
Estamos vivendo desconectados da natureza há bastante tempo e, muitas vezes, custa-nos acreditar que alguém não pode ter filhos porque uma bisavó morreu durante o parto, ou porque um de seus filhos morreu precocemente; porém, é muito mais lógico do que pensar que uma mulher não engravida por casualidade, mau carma, porque somos vítimas de uma enfermidade que não tem nada que ver conosco, ou por que uma cartomante nos disse que assim seria.
Nossos antepassados repetiram uma série de mandatos por programação, fizeram tudo que puderam com as ferramentas que tinham à sua disposição, sofreram e viveram a infelicidade. Nós, repetimos estes programas para dar uma solução, perceber os dramas desde outro ponto de vista para que suas dores se convertam em ensinamentos, e possamos seguir adiante sem condenar mais ninguém.
Reconhecer os dramas de antepassados que foram deixados com parentes ou desconhecidos porque seus pais não puderam ou não quiseram criar seus filhos, gerando um programa de abandono; crianças que não foram desejadas ou não se sentiram acolhidas em sua chegada ao mundo, criando programas de falta de identidade. Estas pessoas quando se tornam adultos buscam parceiros com programas semelhantes. Duas ou três gerações mais tarde encontraremos aqueles que não conseguem ter filhos.
Sob a perspectiva de uma visão bio-emocional não somos um corpo tratando de ter experiências espirituais, senão uma só Mente-Consciência experimentando-se de infinitas maneiras, por infinitos pontos de vista, e que vai se complementando com informações, recebendo pacotes de dados de todos os lados. Assim como herdamos características físicas, herdamos também comportamentos e recordações gravadas “a ferro e fogo” em nossa neurologia, em nossas células e moléculas, de forma que possamos seguir e desfazer o que se considerou um erro, um fracasso ou uma vergonha do passado.
Insano seria pensar que a vida começa com o nascimento e termina com a morte. Estamos tão confusos com relação a este tema que chagamos a dizer que o contrário de morte é vida; o contrário de morte é nascimento. Para “vida” não há nenhum termo oposto equivalente. O que começa com o nascimento é a experiência do espírito na matéria. A vida não tem nada a ver com nascimentos e mortes, começos e fins. Vida é o que sustenta tudo, e continuará depois que formos morar em outro bairro. Isto nada tem a ver com dogmas religiosos, é a física quântica que nos diz que a informação não se perde nunca. Todos nós somos informação.
Entre as muitas perguntas que se poderia fazer a um casal que deseja ter filhos, por incrível que pareça, a primeira é: “você quer engravidar?”, o que é muito diferente de querer ter filhos. Depois, outras questões devem ser analisadas com cuidado: “Para quê você quer ter um filho?”, “Você se sente só?”, “Para quê você quer ter mais filhos?”, “É você mesmo que os quer?”.
Sabe-se que por força do desejo de um parceiro/a, muitas vezes, sentimo-nos obrigados pelos mais diversos motivos. É relativamente comum a mulher ou o homem já ter filhos com outra pessoa e não conseguir ter com o novo parceiro/a. O que se passa neste caso? É válido verificar se há uma necessidade exagerada de ter filhos. Além disso, devemos olhar sempre para as mulheres da família e avaliar se há filhos desaparecidos, partos gemelares, outros casos de infertilidade, irmãos ou tios que não se casam ou não têm filhos, úteros bífidos e todas as histórias familiares relacionadas com a maternidade que estão escondidas em segredos quase sempre das mulheres do clã.
Caso clínico: Um casal, cuja mulher tem 23 anos e o homem 33, ambos com aparelhos reprodutores em condições normais. Depois de 2 anos tentando engravidar, sem sucesso, decidem procurar ajuda médica. Então, foi-lhes dito, após minuciosa investigação, que ela possuía uma doença auto-imune, cuja característica era “matar” espermatozóides e, inclusive, embriões. Vale ressaltar que o casal submeteu-se a muitas intervenções clínicas, inclusive uma fertilização in vitro, quando implantaram 4 embriões. Em todos os procedimentos não tiveram sucesso! Os dois decidem, então, adotar um menino. Seguem sem engravidar por mais 5 anos até que por motivos variados decidem se mudar de sua cidade natal. Seis meses mais tarde, ela engravida sem nenhum método, inclusive assustando-se com a notícia. A única coisa que mudou foi o afastamento das famílias. Ao não ter contato direto com os membros do clã, o inconsciente decide que não há mais perigo e abre um possibilidade quântica que já estava ali como potencial. Neste caso, não houve sequer a necessidade de investigar as razões transgeracionais. O simples fato de afastarem-se daquilo que o inconsciente dela sentia como fonte de perigo pelas memórias que se ativavam no entorno familiar foi o suficiente. Sabemos que o fato de adotar um filho algumas vezes acaba destravando alguns programas de infertilidade; porém, neste caso, a adoção não resolveu o problema. A solução foi o afastamento da fonte de recordação dos conflitos transgeracionais: a família.
Evidentemente, existem outras questões a se considerar quando se trata de conflitos de não ter filhos; todavia, de uma maneira geral, devemos avaliar o entorno “tóxico” em que vive o casal que deseja e não consegue. A família é a maior fonte de recordação de tudo que se passou nas gerações anteriores. Nosso inconsciente biológico necessita apenas de uma imagem, um som, um cheiro, uma frase, uma palavra, ou qualquer outra sutileza para ativar programas ancestrais elaborados pela mãe natureza com pleno sentido e coerência, por muito que nos custe aceitar.
Por fim, o desapego! Depois de investigar e tomar consciência do “para quê” a biologia não quer que tenhamos filhos, aceitar, que se os filhos não vêm, pois que não venham. Abdicar das expectativas e não esperar nenhum resultado como sendo o assumidamente melhor. Confiar na providência de uma Mente-Consciência Universal que cuida de tudo em perfeita orquestração e, sempre, proporcionará o melhor, ainda que não seja compatível com o nosso restrito ponto de vista.

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